ACONTECEU NO BRASIL
Olá pessoal, tudo bem. Bem eu sou Prof Rai e estou aqui para mais uma secessão do aconteceu no Brasil.
A historia de hoje é de uma cabeleireira, que formei pela Embelleze, na franquia de salvador, no Bairro das Mercês, na Bahia.
O nome dela é Graça. Mulher negra, com mais de 50 anos de idade tinha como profissão anterior a de cabeleireira a função de pedreira. Sim, pedreira. Ou seja, ela trabalhava na construção civil. Graça mal sabia assinar o próprio nome. Não possuía formação acadêmica. Mas Graça tinha um sonho: deixar a vida dura e sofrida, cheia de humilhações que tinha por uma vida melhor. Graça viu na profissão de cabeleireira a oportunidade que procurava.
Certa ocasião, Graça chegou a mim e disse
- Prof., por favor me ajude. (começou a chorar) não sei ler. Não vou entender essas coisas cutícula e queratina que o senhor tanto fala pra gente. Finjo que entendo para as colegas não zombarem de mim e para não atrasar as aulas. Preciso sair da vida sofrida que vivo. Por favor, me ajude.
Nem preciso dizer que eu também comecei a chorar junto com Graça, kkkkk. Naquele momento, decidi que ajudaria aquela senhora a ser cabeleireira nem que tivesse que ir na casa dela segurar na mão dela, para ela aprender. Não foi nada fácil. Graça esforçava-se. Eu, do meu lado exercia todos os limites de minha capacidade de orientar o aprendizado de uma pessoa. O controle da turma, muitas vezes, não era nada fácil. Nesta mesma turma tinha duas pessoas com nível superior e todas as outras tinham segundo grau completo. Elas não tinham muita paciência com Graça. Eu, da minha parte, estava resolutamente decidido: Graça será cabeleireira e pronto.
Graça aprendeu a escovar cabelos, cortar, aliar, pintar e hidratar. Nas provas escritas, eu lia para ela as perguntas e dava três opções de resposta onde apenas uma estava correta. Ela quase sempre escolhia a certa. Isso causava nas outras um sentimento estranho, elas atacavam com insinuações complicadas, do tipo... Como se eu estivesse dando as respostas corretas para Graça... Não foi fácil.
No final de um ano de treinamento, Graça era uma cabeleireira como qualquer outra delas. Já ganhava dinheiro fazendo aquilo que aprendeu: cuidar de cabelos.
Hoje não tenho mais contato com Graça, o que pessoalmente acho lamentável, tenho certeza que poderia aprender muita coisa com ela. Uma mulher negra, semi analfabeta, com um sonho que tornou realidade sob duras penas e que hoje tem dignidade profissional. Meu amor, respeito e carinho a todas as Graças desse meu Brasil.
Um comentário:
É bom saber q ainda existe pessoas boas como vc prof. Sempre disposto a ajudar, o q eu sei sobre cabelo aprendi com vc, gostaria de aprender muito mais. Te desejo sucesso.
Postar um comentário